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“As comunicações de massa são extensões dos mecanismos de percepção humana; são imitadores dos modos de compreensão e discernimento humanos”. – Marshall McLuhan

 

A cada dia que passa, mais e mais pessoas formam e ampliam suas redes sociais através de alguma mídia social, como o Facebook, Orkut, Twitter, Instagram. O que era um fenômeno jovem, nicho da Geração Y e posteriores, se torna hoje habitat natural até para os pais dos Baby Boomers.

Em qual ambiente diferentes gerações se encontram, senão na sala de aula e no ambiente corporativo?

Este é um movimento não só comportamental, onde as pessoas estão ficando mais familiarizadas com a tecnologia, mas ainda um movimento social em que as pessoas percebem que as mídias sociais podem ampliar suas amizades e conexões “reais” por meio do digital.

Muito se discute sobre como as mídias sociais estão mudando a maneira como as pessoas se relacionam. Porém, antes de formar uma nova maneira de convivência, essas redes sociais tendem a repetir o formato dos relacionamentos offline.

Claro que as relações estão mudando. E o mundo virtual reflete isso e precisa ser discutido, analisado, entendido. Porém, não podemos esquecer que as mídias sociais são um meio, não um fim. Vemos diariamente equívocos monstruosos acontecerem. Cada vez que alguém processa o youtube por permitir a publicação de um vídeo que considera ofensivo  é como se esse alguém processasse a HP por ter feito a impressora que imprimiu o folheto onde outro alguém escreveu essas mesmas ofensas. Não podemos confundir o meio com a mensagem nem com o mensageiro.

É por isso que as mídias sociais estão tornando as relações pessoais mais honestas. Essas mídias funcionam como uma “janela”, uma “lente” sem filtro onde as pessoas se expõe mais, se mostram mais. Antes das mídias sociais você poderia trabalhar anos ao lado de alguém sem saber suas convicções políticas. Hoje, em dois ou três posts, você sabe exatamente de que lado ele está. Mídias Sociais não fazem as pessoas brigar mais. Elas apenas mostram mais cedo aquele lado que você não gosta em alguém. Claro que a “sensação de segurança” que é digitar uma atualização no Facebook, ao invés de dizer na cara, faz com que você diga algumas verdades a mais. Mas, mais uma vez, as redes sociais não criam relações, ampliam.

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Para se aprofundar no tema, trago alguns recortes de casos onde o real e o virtual se misturam em ambientes onde temos mais a perder ao se expor: no trabalho e na escola. Aqui você ão encontrará respostas, apenas perguntas. Este é um tema em aberto, que vai desde implicações legais ás questões éticas, permeando sempre as características e regras de conduta de cada ambiente.

Professora pode ser demitida por foto polêmica com alunos no Facebook

O caso aconteceu nos Estados Unidos. (matéria completa aqui) Um estudante pediu um fita crepe para consertar seu fichário, mas ao invés de fazê-lo, acabou cortando um pedaço e colocando na boca. Todo mundo na classe riu, gostaram da “brincadeira” e fizeram o mesmo. A professora também gostou da ideia, tirou uma foto e publicou no Facebook com a seguinte legenda: ““Finalmente encontrei uma forma de deixá-los calados”.

É óbvio que o problema aqui não é a foto ou o Facebook, e sim a imagem de uma conduta que pode ser muito mal interpretada quando visto por quem esta do lado de fora. E foi o que aconteceu. Um funcionário da escola viu a foto, denunciou para a direção, que solicitou que a professora e os alunos retirassem a foto do ar. Isso sem uma única reclamação dos pais ou dos alunos envolvidos.

O que ampara a escola nesse caso são as leis norte americanas, sobre proteção de privacidade das crianças. Se o caso fosse no Brasil as interpretações são muitas. Primeiro por que aqui também existem leis que protegem as crianças à exposição em situações constrangedoras. Não pareceu que na foto houvesse alguma criança sofrendo, pelo contrário, era só mais uma foto de humor duvidoso, mas nenhum crime cometido. Porém, existem leis trabalhistas claras que regem sobre insubordinação, violação de regras morais e jurídicas e outras não tão claras sobre “manter um comportamento incompatível com as regras da sociedade e da empresa que coloque em risco a reputação do empregador”. Tudo isso no artigo 482 da CLT.

No caso dessa professora, se no contrato de trabalho dela, ou nas regras de conduta que ele deveria ter assinado ao ser contratada, existirem regras claras sobre o uso de redes sociais no horário de expediente, a relação com os alunos ou de confidenciabilidade na sala de aula, ela pode ter quebrado alguma regra.

Já, se ela não quebrou nenhuma destas regras, a simples publicação da foto (ou imprimir e mostrar para os amigos, dá no mesmo) entra naquela questão sobre comportamento e regras da sociedade. Ou seja, totalmente interpretativo.

A solução seria impedir, por contrato, dos professores tirarem fotos dos alunos e divulgarem na internet? Claro que não! Alias, isso seria um erro, estaríamos destruindo um precioso capital social.

A regra deve ser sempre o bom senso. Todos devemos lembrar e relembrar na sala dos professores, que ao trabalhar com jovens e crianças, nossas condutas deverão ser ainda mais cuidadosas.

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Professora obriga aluno a expor insultos feitos no Facebook.

Este também é um caso norte americano.  A professora exigiu que seus alunos acessassem o Facebook para comprovar que a estavam insultando na rede. Fez os alunos criarem uma lista de todos que haviam feito os insultos e os proibiu de fazer um passeio com a classe. (matéria completa aqui).

Fazendo um paralelo com a nossa realidade. Quem se lembra daqueles cadernos de perguntas que as meninas faziam lá pelos anos 90? Para quem não conhece, era um caderno escolar que a menina colocava uma pergunta em cada página, e a cada um que ia respondendo preenchia ao lado da resposta o seu nome. As perguntas iam desde coisas triviais como a cor predileta e qual era o seu animal de estimação, até perguntas mais íntimas como se quem respondia já tinha beijado na boca. Invariavelmente  algumas páginas eram dedicadas a responder perguntas sobre os professores e extravasar toda a fúria adolescente.

Eram os primórdios das mídias sociais. E aqueles cadernos eram tratados pelos professores e pela escola como um “diário pessoal”. Confusões aconteciam, claro. Mas não me lembro de ninguém se exposto por causa disso. Agora que vem a pergunta: Algum professor teria o direito de confiscar este caderno e punir quem o insultou ali?

Essa é uma questão sem resposta nas mídias sociais. O que é público e o que é privado? Pensando que o Facebook tem suas regras de privacidade, onde o que você escreve pode ser público ou pode ser restrito apenas para os seus amigos, quando publicado de modo restrito, não seria o mesmo que uma carta ou e-mail?

Outro ponto importante a se debater aqui é a postura de reação aos insultos. Seria a postura “policialesca” a mais correta? Vigiar e punir alunos e funcionários que falam mal de professores e colegas. Ou não seria o caso de aproveitar essa “janela” e tornar as relações mais honestas, os professores trabalharem melhor a sua relação com os alunos e os trabalhadores perceberem quem são os colegas confiáveis?

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Estudantes são suspensos por ameaçarem professores no Facebook

Esse caso irlandês é bem interessante, pois se trata de bullying de alunos contra professores. Quatro universitários ameaçaram três professores pelo Facebook. Os quatro e todos os quarenta alunos que curtiram a publicação foram suspensos. (matéria completa aqui.)

Mais uma vez o meio não é o responsável pelo problema, ele apenas potencializou. Lembro que ameaças e injúria é crime, mesmo feitas ao pé do ouvido. Ampliado pelas mídias sociais, o que poderia ser apenas rusga de aluno e professor, mostrou um caso sério de bullying. Ótima oportunidade para toda a comunidade discutir suas posturas, como foi feito.

Professora publica fotos seminua no Facebook e choca pais de alunos

Numa primeira análise, o caso é chocante. Uma professora de escola primária, no Reino Unido, chocou os pais de seus alunos após publicar, em seu perfil no Facebook, fotos em que aparece de topless ao lado do marido. (matéria completa aqui).

Porém, pensando calmamente, é apenas uma pessoa com seus critérios e sua moral (só dela, questionáveis ou não) se expondo como bem entende. Questionável, mas nenhum crime. Bom, não seria nenhum crime se na lista de amigos dela não tivessem muitos dos seus alunos, de 8 a 12 anos de idade. Foto no Facebook ou foto impressa, expor crianças a nudez é crime na maioria dos países do mundo. Essa professora se esqueceu que o Facebook pode ser privado, mas não é secreto.

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Tenha regras claras!

Os casos são inúmeros aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui. O que todos tem em comum? Todos violaram alguma regra do “mundo real” ou alguma regra de conduta pré acordada.

Este é o principal. Tenha regras claras. Proibir, alem de inútil, poda um monte de oportunidades de crescimento pessoal, educacional e social. Acredite, as mídias sociais são uma maneira excelente de participarmos das discussões globais relacionadas ao trabalho que estamos desenvolvendo e de nos mantermos atentos ao mundo do nosso aluno. Também podermos nos aproximar cada vez mais das pessoas que se relacionam com a escola onde estamos ou com a empresa que trabalhamos, e podemos promover o encontro entre elas.

Devemos lembrar que as redes sociais são o espelho da nossa identidade e personalidade. Devemos pensar em como queremos que as pessoas nos vejam quando formos construir o nosso perfil em sites como o Facebook e o Orkut. Lembrar que esta é uma construção contínua, a cada atualização feita, nossa imagem também é atualizada.

Por isso, temos que pensar bem antes de adicionar um aluno ou chefe do trabalho aos nossos amigos virtuais, lembrar que ele terá acesso a detalhes da nossa vida pessoal. Além disso, no caso de alunos, estaremos construindo um relacionamento com um menor de idade. E nossas atitudes e o conteúdo ao qual você expomos este menor são subordinados às leis brasileiras.

Veja neste abaixo um exemplo de Código de Conduta na Internet que elaborei. Ele pode ser adaptado a sua realidade. Altere, divulgue e comece uma cultura de uso consciente das mídias sociais no seu trabalho ou na sua escola.

 

 

 

 

 

 

 

 


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