About rodrigo

Digo que escrevo aqui só quando dói.
Pois é, não esta doendo nada, muito pelo contrário.
As possibilidades de confortar são grandes. Tão grandes quanto as possibilidade de doer.

Prefiro então, não pensar, não sentir, não escrever.
E ficar, deliciosamente, flutuando em um universo de possibilidades infinitas…



essa estava enterrada, mas o momento é propício…

- Olá. Posso me sentar? Como está?

- Mal

- Denovo?

- Pra você vê.

- É mulher…

- Pois é.

- Pior que a Marcela?

- Pior.

- Mas ela era demais! Linda, corpinho escultural, toda delicadinha. Arquiteta bem sucedida, carreira decolando. Carinhosa, gostava de você… um futuro juntos.

- Pois é. Pra você vê. O plano perfeito, mas eu não queria aquele futuro…

- Pior que a Andreza?

- Pior.

- Ah, não! Ela era incrível! Mulher poderosa, diretora de não sei o que, gostosa, linda! Te idolatrava.

- Pois é. Pra você vê. Mas, depois de algum tempo juntos, o sino não tocou…

- É pela professorinha?

- Pior que é.

- Mentira! Não acredito. Avisei que estava fadado a dar errado, a mulher só te maltratava, era doida, confusa.

- Pios é.

- Não acredito que você esta assim por causa da gorda da professorinha?

- Pra você vê.

- Isso é só porque ela não te quer.

- Pois é. Pra você vê.



Obrigado por me mostrar como é estar na pele das minhas vitimas.

Obrigado por confirmar o que eu já desconfiava: quando chegasse a minha vez ninguém teria piedade.

Obrigado por me mostrar que, como suspeitava, somos humanos e nos permitimos tentar, arriscar e seguir em frente, não importando quais as conseqüências para o outro.


Pois buscamos a nossa felicidade, e ela nem sempre concorda com a felicidade do outro.


Obrigado por me ensinar que sou bem mais vil do que imaginava, e isso não é culpa sua, mas você foi um canal para que essas atitudes surgissem novamente.


Obrigado por me ensinar que os defeitos são latentes, e só depende de mim permitir que eles aflorem.


Agradeço por ter mostrado o que eu tenho de pior e o que eu tenho de melhor.


Pois pude perceber que o que existe de bom em mim é muito maior do que existe de mal.


E que a minha bondade é incondicional, enquanto que a minha maldade tem endereço certo.


Agradeço também por ter me mostrado que nada do que fiz no passado, com outras pessoas, é condenável.


Porque hoje podemos machucar e amanha sermos machucados.


E ferir ou não o outro é uma condição humana na busca da felicidade e da realização, e não um defeito de caráter, pois nem sempre acertamos nas nossas buscas.


Obrigado por me mostrar a magia de ser humano, com todas as nuances de altivez e baixeza que isso pode ter.


Estive no café filosofico da CPFL nesta quarta, dia 11. Tema Etica: Socrates e Kant.

Como já disse aqui: tudo o que produzimos de conhecimento humano é uma nova maneira de dizer o que já sabemos.

E descobri que a minha moral, a minha é tica tem dois nomes: A Etica Relativista e a Etica Utilitarista. Resumidamente, a Etica Relativista diz que os fins não justificam os meios, ou é, ou não é. E a Etica Utilitarista diz o oposto.
Eu acredito nas duas. E acho que o que separa o joio do trigo é a moral. O que vai contra meus principios morais, não se relativisa.

Preciso refletir mais sobre ter duas Eticas….

Mas o mais interessante é que em determinado momento o palestrante manda essa: “Os ignorantes é que são felizes. Quem pensa é triste”

Nossa, morderam a isca na hora. Gente protestou “Eu penso e sou feliz!!”
HAHAHAH
É impressionante como falar para alguem que ela não pensa, ou não é feliz, ofenda tanto.
As pessoas realmente ficam putas. Parece que é inadmissivel ser infeliz.

O palestrante ainda explicou: “Quem pensa fica relativizando sobre a alegria, o pq é triste, o que o faz ser alegre, e pq fica triste e etc. O feliz simplesmente o é.”

Abandonei esse blog por uns dias.
Fui muito feliz neste período…


Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.

Clarice Lispector