About rodrigo

A tempo, atualizo aqui a palestra que vi com o autor do livro A Alma Imoral, Nilton Bonder, dentro do programa da CPFL Cultura, o Café Filosófico.

Apesar da mediação bem mediana, do foco da palestra cair rapidamente para a peça (brilhante a peça de teatro inspirada no livro, mas não era o tema), pude pinçar pequenas pérolas:

- A monogania é uma forma de acomodar as tensões da sociedade em busca da procriação. Caso contrario, apenas os homens e mulheres mais lindos e ricos teriam chances.

- O corpo, ao contrário do que o senso comum normalmente prega, é o representante da tradição, das raízes.

- O unico modelo de revolução das relações pessoais proximo ao da internet é o dinheiro.

- O que distingue o homem dos outros animais, não é a capacidade de competição, mas sim a capacidade de criar vínculos.

- As nossas identidades não podem ser um aprisionamento.

- Não preciso me legitimar através da ilegitimidade do outro.

- Existem fidelidades tão imorais e traidoras quanto a própria traição.



Estive em dois casamentos seguidos. Um por dia. Não fui em muitos casamentos na vida, mas dos poucos que fui percebi que, independente do credo ou classe social, todos são iguais. A cerimônia muda, o sacerdote muda e a qualidade do Buffet e do uísque também mudam. Mas no geral, a dinâmica da coisa é a mesma.

Pais, parentes e amigos, que os noivos acreditam estarem feliz por eles, confraternizam uma alegria que não é deles. Refleti seriamente sobre quem, apesar de feliz pela felicidade dos noivos, realmente se importaria de estar ali ou não. Conclui que fora quem estava no altar e na primeira fileira, quase ninguém.

No primeiro casamento que fui realmente estava contente por estar lá e ver a alegria de uma amiga por estar casando a moda antiga (véu, grinalda e igreja). Então me detive a observar o desenrolar da festa. Todas as mulheres montadas como arvore de natal e o os homens no terninho do uniforme. Entendi depois de um tempo que casamento é como carnaval, vc passa um tempão esperando o dia, escolhendo a fantasia, vestindo a fantasia e no dia tão esperado ela não dura nem 15 minutos montada.

No segundo casamento estava ali totalmente penetra. Convidado de uma convidada. Casamento para certos convivas é uma situação tão constrangedora, que precisam de alguém para lhes segurar a mão. Como não tinha que observar nenhum conhecido ficando bêbado, para depois cair na risada, me detive observando a dinâmica social da coisa. Convidados, de todos os lados (do noivo e da noiva) cada um no seu lado e ao seu modo dançando e bebericando. Alguns nitidamente (como eu) só para dizer que participou da festa, afinal já estava lá, ai sair com cara de que nem se divertiu?

Foi ai que comecei a perceber o quanto se pega emprestado as alegrias dos outros. Muitos com certeza estavam ali como eu, se estivessem em casa vendo TV dava na mesma. Alguns sorrisos amarelos aqui, outros ali, e alguns comentários escutados de penetra, comecei a perceber o tamanho do mico que uma festa de casamento pode se tornar. Já tinha ouvido falar que agente não faz festa de casamento para nós mesmos, mas para os outros, principalmente pai, mãe, tias e parentes serpentes.


Agora eu me pergunto: Porque eu convidaria para uma mesma festa, pessoas completamente diferentes e opostas, quando não conflitantes, que eu passei todo o tempo até ali me esforçando para que elas não se encontrassem?

Faz um tempo fui em um casamento na família. E como só tem maluco mesmo, o que mais me diverti foi rindo da operação logística formada para que tias, ex-esposas, parentes em geral que estavam brigados não fossem parar na mesma mesa.


Acho que festa de casamento é aquele tipo de coisa que parece besta e sem sentido, mas que se você não faz perde metade da diversão.


O saldo da primeira noite foi OK. Risadas, papo descontraído com o pessoal do trabalho, ver a alegria de uma amiga querida. Apesar de no fim da noite ser agredido gratuitamente, por um único erro de amar a pessoa errada e talvez não ser capaz de entende-la. Mas isso é outra história.


O saldo da segunda noite foi bem mais legal. Como não conhecia ninguém, minhas observações puderam ser bem mais acidas. Mas o principal foi que esse convite me ajudou a sair de baixo das cobertas, perceber que existem pessoas que me querem e me gostam, e que posso ter uma noite maravilhosa que termina numa manhã.



Há tempos não escrevo por aqui. Talvez porque não tenha acontecido nada tão importante, ou pq nada tenha doído o suficiente, talvez pq não fiz nenhuma reflexão digna de nota. Mas o mais provável é que estava letárgico mesmo.

Acho q tomei meu primeiro pé na bunda…rsrsrs

E isso é uma coisa boa.

Sou a favor da terapia de choque.

E sempre achei que, estando deste lado da moeda, eu aprenderia muita coisa. E realmente aprendi.

Para ela foi o post abaixo (O Assombro), quando me encontrei assombrado com a minha decisão. Ia me entregar, amar e aceitar isso e foda-se o mundo. E foi o que fiz.

Kamikazee total eu sei, mas não me perguntem pq resolvi fazer isso logo agora e nessa situação, eu não sei. Talvez isso tivesse latente para acontecer, tivesse chegado ao limite e a oportunidade apareceu.

Nunca havia sido rejeitado (palavra feia, mas na falta de um sinônimo melhor…) após ficar com uma mulher. Sempre fui eu quem terminou. E desta vez curti esse sentimento da rejeição. Talvez seja mais o sentimento de “desapontamento”. Afinal resolvi investir sentimentos e me desarmar, e gostaria de curtir isso mais um pouco. Acho q é isso, é a sensação de que tinha que acontecer mais coisas, que me frustrou mais.

Sempre tive certeza que após ficar com alguém era inevitável, ela iria se apaixonar. E perceber que sou falível me fez ver uma série de coisas.

O mais importante disso tudo, tempos depois, após alguma reflexão e após o pé, aprendi uma coisa: Não é a pessoa que importa, e sim o cargo que ela ocupa.

Uma coisa eu já sabia, produzo mais, sou mais centrado e mais sereno quando namoro. E sempre acreditei que fosse, afinal, simplesmente o suprimento de uma carência afetiva que me equilibrava.

Descobri, assombrado, que a coisa é mais em baixo. É como se não fizesse as coisas por mim, mas por alguém. Trabalhar, estudar e me equilibrar para ser melhor para alguém, antes do que pra mim.

E esse alguém realmente não interessa, essa foi a minha maior descoberta.

De posse dessa informação nova, terei que rever alguns contratos “internos”.

Rever conceitos e motivações.

Nunca pensei que a falência me levaria tão pra cima.



Quando surpreendo os outros, uso os truques que já prendi. Ultimamente ando surpreendendo a mim mesmo e me descobri um mago diante de quem eu julgava ser.

Traindo o que a lógica e todo o racionalismo me dizia (para não trair a minha alma), descobri assombrado toda a força da conquista de mim mesmo.

Enquanto caía nas seduções do correto, do lógico, do “moral”, e assim do previsível, não entendia toda a perspectiva que a minha alma criava, todo a grandeza que é romper padrões, pecar e ser livre, elevar o espírito.

As surpresas do incerto, do relativo, das misturas, dos erros, das espontaneidades ou dos pecados, fortalecem a minha alma e me oferecem o nutriente mais importante: a evolução.

Quando não estou satisfeito em relação a algo, com certeza não estou sendo mais honesto em relação as minhas intenções sobre isto. O estado de conforto em que me encontrava já tinha de tornado letargia e isto estava me gerando muita insatisfação.

Estava há muito tempo confortável com o correto, mas havia me esquecido do bom. Estava em dia com as minhas obediências, mas havia abandonado as transgressões que tanto promovem mudanças e evoluções.

Minha vida é pautada constantemente por alternância do estado letárgico e desperto. E cada vez que faço o esperado reforço o meu padrão automático de torpor. E com isso vou gradativamente me perdendo de mim mesmo.

Só há saída no assombro, na surpresa. É me horrorizando com o meu estado letárgico que percebo o quanto estrito era o lugar em que eu estava.

Transgredir é um processo, e o momento em que me volto para uma nova direção marca um novo segmento na minha vida. É neste momento que algo também dentro de mim não quer a mudança, é o conforto da letargia. O momento que precede a mudança sempre gera confusão, desorientação.

O maior pecado que eu poderia cometer contra mim mesmo seria não dar este primeiro passo rumo á mudança, não usar todo o potencial da minha vida. Minha alma encontra novos objetivos para minha vida e assim me fortalece. É através destas mudanças que encontro um novo bom. Quem tem coragem de bancá-las não conhece a depressão.

A rebeldia que minha busca instala na minha alma faz dela um instrumento para o rompimento de normas, convenções e padrões. É a tradição que a letargia traz em si que faz um campo fértil para a transgressão. A tradição é o compromisso com o passado e com o que é esperado de mim em meio a todas as demandas do futuro.

Há uma disputa permanente entre o bom da tradição e o bom potencial da mudança. O bom que a mudança pode me oferecer só conhecerei transgredindo, mudando.

Mas também posso ficar seguro e na dúvida. Resta uma escolha.

A mudança estende o meu visto de permanência na vida, porque a própria vida é a possibilidade de definir novas mudanças para si mesmo.


Um dia criamos um blog, avidos para compartilhar com o mundo tudo o que passa nas nossas cabeças, angustias, alegrias, pensamentos.

Um lugarzinho onde podemos dizer coisas que não teriamos outra oportunidade, para nos escutarem e principalmente entenderem. (certas viagens só lendo com calma e varias vezes…rsrs)

Convidamos amigos, parentes e desconhecidos para prestigiar e comentar.

Ai um belo dia acordo, olho para a tela em branco e penso:
“Putaquepariu, tanta coisa que eu gostaria de escrever mas não queria que ninguem lesse…