About rodrigo

Ótimo, ela esta aqui. Eu tinha entendido que era ela que não viria mais pra cá. Acho que entendi errado. Será? Ou só será o meu sentimento de culpa, dizendo mais uma vez q estou errado? É, sinto culpa sim por ter terminado, por fazer ela sofrer, não sou nenhum sádico. Mas também não sou masoquista, culpa não segura relacionamento.

Bom, culpado ou não, quero cumprir o acordo de não nos cruzarmos por um tempo. Quanto tempo? Quem tiver a resposta liga o cronômetro que eu estou ansioso pelo fim. Afinal, amigos em comum, lugares em comum, encontros são inevitáveis. O jeito é esperar, papear com quem esta neste andar do bar e esperar que no andar de baixo ela termine o assunto e vá. Ela sempre vai cedo.

Melhor sair da janela, ali da varanda onde ela está, eu posso ser visto. “Marcão pula pra esta mesa, esta janela me da vertigem”. Melhor, quinze minutos de papo e nada aconteceu. “Pô Marcão, fica ai. Tá vai lá, Lena me faz companhia, ela está subindo”. Não acredito que ela me largou sozinho. Agora estou aqui, isolado num canto, e nenhum garçom passa por aqui. Pelo menos não gasto, nessa ansiedade vai um café atrás de um suco, atrás de um pão de queijo…

Eu mereço. Me sinto na faixa de Gaza, terra de ninguém, se ficar o bicho pega, se correr o bicho come. Vou analisar a situação, o front: estou no segundo andar, pela janela a alguns metros vejo a varanda onde ela está. Ela está de frente para a escada que sobe para o segundo andar. No topo desta escada o banheiro e em baixo da escada o caixa. A janela é muito alta para pular. Alem de que preciso pagar para sair sem ser perseguido pelos seguranças e chamar a atenção. Diagnóstico: tô fudido.

Ô papinho demorado. O lado positivo é que ela ainda não percebeu que estou aqui, meu propósito de evitar o encontro ainda se mantém. Ou talvez esteja fingindo que não me viu, afinal ela esta muito perto de onde a minha moto esta estacionada. Pilantra, deve estar se deliciando com o meu desespero…Ou talvez esteja tentando ser natural, engolir o nó na garganta e ser simpática com os amigos e não criar um “climão”. Quem sabe…

Nas duas hipóteses continuo eu aqui, na torre de Rapunzel e com uma baita vontade de mijar! Vou pedir uma agua, bebo e mijo no copinho. Mas aqui a agua é de garrafa, vou errar o bico com certeza. Faço no de vidro e jogo pela janela, é isso! Estou sozinho aqui mesmo….Filhos da puta! Isso é hora de sair de casa? Não tem família? Não tem amigos? O que essa casalzinho esta fazendo aqui em cima? O plano do xixi foi por agua a baixo. Agua a baixo? Ai que vontade de mijar!

Tática suicida, é o jeito. Jogo a mochila nas costas, caminho junto a parede, não olho para trás, sem atrair a atenção. Dou uma espiada na situação, entro no banheiro. Ô gloria! Saio, lavar as mãos sem se virar para o lado. Uma olhadela e vejo a mesa, ninguém olha para cima. Mas ao descer as escadas chamarei muita atenção. E agora? Também não da pra ficar aqui a noite toda. Mas também se descer sem olhar para ninguém vai pegar mal, um olá ao menos, são meus amigos afinal. Respira e desce, kamikaze, se ela te ver, amém!

Fui. Primeiro degrau e esta tudo bem. Segundo e alguém de costas esboça se virar, ela ainda não olhou para cá, é agora…Aleluia o celular está tocando! Esta na mochila, enfio a cara dentro dela e a desculpa está dada. Obrigado Senhor!

Agiliza minha filha, são duas águas e um café, quer que eu faça a conta? “Obrigado, estava tudo ótimo” Meu deus, que sorriso amarelo. Acho que minha mão esta tremendo, estou suando. A menina do caixa deve ter achado que eu estou passando mal…E agora pra sair? Bendita porta lateral, saída pela esquerda, dou a volta pelo estacionamento e pego a moto. Está estacionada atrás dela, as pessoas na frente dela irão me ver, não posso cruzar olhares e fazer com que ela se vire para ver quem é. Merda de capacete, é hora de enroscar na trava?! Ninguém me viu, ninguém me viu, eu sou invisível, nem estou aqui…Moto, partida, de primeira, yes! Nem me viu, já sumi na neblina.

Ah cacete. Agora a culpa de não ter cumprimentado ninguém. Alguém percebeu? Ela não me viu mesmo? Eu passei tão perto que era possível sentir seu perfume. Uma coisa é certa, se alguém percebeu amanhã já esqueceu. As pessoas são ligadas demais nos seus umbigos para perceber as sutilezas do mundo ao redor. Quando começamos a namorar não queríamos que se espalhasse a notícia, assim como fofoca de bar. E por mais que nos descuidássemos, ninguém percebia. E se ela me viu, só posso torcer para que não fique magoada. Ou pelo menos, a cena patética de fuga que protagonizei traga para ela um pouco de alegria melancólica. Assim, tal qual quando vemos mímicos vestidos de Carlitos.


- Será que ele veio só me ver? – pensou, sem coragem de dizer em voz alta, ou de admitir – porque ele passou por aqui a esta hora, não precisava.

- A saída do segundo andar estava trancada, tive que dar meia volta, estava enrolado com a papelada e já estou atrasado – ele disse ao entrar no carro do amigo.
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- Vamos almoçar só nós duas? – disse a amiga – vamos chama-lo, liga.

- Ela me chamou pra almoçar? – pensou com um nó na garganta e um delicioso revoar de borboletas na barriga.
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- Olá! =D Esta on tão tarde?
- Só te esperando…rsrsrs
- Para, vc nunca fala sério.
- Será?
- rsrsrs
- Amanhã irei te cumprimentar com um bj, na frente de td mundo.
- Pq?
- Pra te deixar encabulada…rsrsrs
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Parou, olhou, congelou. Não se cumprimentaram, mas a brisa fria que passou pela sala na troca de olhar vez a barriga esfriar.
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- Nossa, hoje não vi mais do que a papelada de sempre – ele pensou ao fim do dia.

- Nesse fim de semana vou sair com o gatinho da praia, esta tão legal – ela disse, antes de desligar o telefone.
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- Porque tem sempre uma coisa no ar quando me encontro com ele?

- Por que parece tão fácil e ao mesmo tempo tão difícil. – ele pensou ao assinar mais um documento.

- Ele não sabe o que quer…

- Difícil porque? É, trabalhamos juntos….

- Será que um dia saberá?

- Fácil porque? Esse jogo esta é gostoso…

# continho do fundo do baú ;)


Finalmente!
Um ar de criatividade e bom gosto na musica. Faz tempo não vejo algo tão bacana e original. Mesmo porque a muito estão confundindo esquisitice com ser moderno e original.

Este é o tipo de musica que chamo “da alma”, completinha em seus instrumentos e melodia, complexa sem ser inteligível. Simples o suficiente para ser asoviada, mas se quiser colocar um bom fone e prestar atenção em cada instrumento será uma grande viagem.

Com vocÊs: BEIRUT

E o albun The Flying Club Cup completinho aqui: Beirut – Flying

Valeu Marcella ;-)


Finalmente achei uma escola de samba com algo realmente original. Eu que pensei que mais um ano ia passar em branco, sem encontrar uma escola que me representasse na avenida, este ano teri porque colocar o meu bloco na rua.

Percebam a harmonia, a evolução, a melodia. O trio de puxadores e impecável e a bateria é no mínimo nota 10!

Querem comprovar? Peguem o samba de qualquer grande escola ai e tirem a voz, encontrarão uma bateria tão boa quanto a da Unidos. Peguem os puxadores da Unidos e coloquem outra letra na voz deles, Neguinho da Beija FLor se arrepia.

Com vocês: a Unidos do Caralho a Quatro!



Todas as relações humanas são baseadas nas trocas de vantagens. Todo relacionamento, amoroso, amigável, cordial, de negócios, familiar, ou seja, qualquer relação entre dois seres humanos dura o quanto durar a relação de vantagens que um pode oferecer ao outro.

Você pode argumentar que uma mãe não mantém relações com os filhos em busca de algo em troca. Eu digo que sim. A mãe quer em troca o reconhecimento como tal, mesmo que o filho seja um calhorda, a relação de ganho permanece enquanto esta mãe “sofrida” aceitar este sofrimento. Pois, de alguma maneira este sofrimento completa uma carência da mãe.

Quando tal relação deixar se ser vantajosa, a mãe irá abrir mão. Acontece o mesmo com alguém caridoso e benevolente, que recebe em troca da sua boa ação um conforto espiritual e pessoal. Sempre há relação de ganho, mesmo que não pareça.

Num relacionamento amoroso principalmente, a relação perde/ganha é colocada a toda prova. Isso porque normalmente se inicia um relacionamento percebendo apenas as relações vantajosas. Tão vantajosas que mesmo o que se dá em troca entende-se como ganho. Ai mora o perigo.

Este “contrato” é firmado as escuras: “estamos ganhando os dois e assim somos felizes”. Mas este contrato tem validade e dura até alguém mudar alguma clausula. Isso normalmente se dá o nome de traição. Não a traição da carne, do adultério, mas a traição dos acordos previamente estabelecidos como vantajosos.

Não cabe aqui exemplificar as traições. Vale a máxima ”um passo e não se esta mais no mesmo lugar!”. É este passo que deixa alguém na relação pra trás e o contrato precisa ser revisto. Quando um na relação esboça transformações pessoais que acarretará em transformações na relação, o outro cobra os compromissos prévios assumidos, dando um passo para trás. O “traído” não reconhece que seus direitos de apego não tem o menor valor numa relação em que o compromisso explicito é o relacionamento.

Não adianta os “dez mandamentos da relação feliz” ou “os segredos dos casais mais felizes”, onze entre dez relações se baseiam no diálogo franco e honesto, ou seja, em negociar sempre. Se numa relação alguém se modifica, o pacto é esse: todos devem se colocar em movimento.

Para a alma de quem esta em mudança, é o apego que representa a traição. “Traí para não trair”, muitos traidores terão dito. Já o traído sente no corpo a dor da transgressão e na alma a dor de seu apego. Por definição, uma pessoa só pode se sentir traída se está as voltas com dificuldades de excesso de apego. Porque todo traído é, sem dúvida, alguém que peca pelo apego.

Livre adaptação de trecho de “A Alma Imoral” de Nilton Bonder, e mais umas tantas coisas da minha cabeça.