Sempre achei que sim, cantar no ônibus ou metrô incomoda todo muito. Além de ser uma baita falta de educação. Ninguém merece escutar uma música que não gosta cantada por algum desconhecido desafinado.
Mas ontem no metrô aconteceu algo novo. Um cara começou a cantar e todos começaram (quase) a curtir…. Ele era em si uma figura engraçada, um vovô de cabelos brancos, polo azul de gola branca, calça skini e óculos do super-man. Um hipster passado dos setenta anos…hahahahaha

Ele começou a cantar uma música em italiano, “Dio, come te amo”. Cantava mal e desafinado, mas começou a comover as pessoas. Uns riam… Mas um cara, no meio da multidão, começou a cantar junto. Cantar meio baixinho, balbuciando. Mas era nítido que, enquanto cantava, ele lembrava de alguma coisa, sorria.

Comecei a imaginar toda a história que havia por trás daqueles dois senhores, cantando uma sofrida música de amor e lembrando…. Foi quando entendi o poder daquela canção e a diferença dela e dos funks que quando cantados ou escutados no coletivo incomodam tanto: aquela música lembrava, emocionava, dizia alguma coisa para alguém.

Antes dos ufanistas meterem o pau, falando que eu só acho essa história legal porque a música era italiana que o funk representa uma cultura nacional e blablabla, deixo claro que: aquela musica só não emocionou o metrô inteiro porque algumas pessoas não estavam entendendo a letra. Qualquer um que tenha assistido uma novela da globo sabe o que significa “Dio, come te amo”, mas não entendiam o resto da letra.

O fato é que aquela musica tinha sentimento, sentido e trazia lembranças. Ela pode ser em italiano, mas tenho certeza que se fosse uma do Chico Buarque, ou um samba canção do Arlindo Cruz ou um pagodinho bem meloso do Negritude Junior, o efeito contagiante seria muito maior.

Acredito que as pessoas não se incomodem tanto com o fato de cantarem ou escutarem funk no metrô. Acho que o que as pessoas estão cansadas mesmo, é de tanta gente propagando o vazio por ai.

Ah, não sabe que música é “Dio como te amo”. Escuta só:

 



Eu acho as Pinups as mulheres mais sexys que existem. E também acho filmes de apocalipses os mais legais, mesmos os mais toscos.
Agora imagina que incrível um calendário que une ilustrações de pinups com apocalipse!
O artista grafico Andrew Tarusov pensou nisso. Agora, se alguem entender russo, me avisa e me diz como encomendar um! kkkkk
PS: Detalhe macabro, dezembro acaba no dia 21….

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É impressionante como um garoto de 8 anos pode ter tantas certezas na vida. Sabe de quem gosta e o que é. O Garoto sabia o nome da menina que gostava e que era, definitivamente, diferente.

 

Pena que esquecemos de tudo isso na adolescência, e depois custamos a lembrar…

Ele tinha um caderno. Não era qualquer caderno, era um caderno colorido, cheio de desenhos, artes, frases, pautas, uma espécie de diário. Naquela época ele ainda não sabia que gostava mais de ter um caderno do que de escrever nele. Mas escrevia. Escrevia sempre que não podia dizer, isso ele já sabia.

Ana Carolina era o nome da menina. Cabelos negros cacheados que viviam revoltos, como se não aceitassem que a dona era uma menina linda, de pele branca e sardinhas no nariz.

Ela não era a menina mais bonita da escola, nem a mais popular. Era aquele tipo de menina que se esquecia de ser menina. Era por isso, porque ela era mais ela, que ele gostava.

Gostava e escrevia. As vezes desenhava. Outras tantas copiava. O Garoto não entendia, mas adorava o som que as palavras faziam, naquele velho disco:

“Menininha do meu coração

Eu só quero você

A três palmos do chão

Menininha não cresça mais não

Fique pequenininha na minha canção

(…)”

E copiava. E trocava menininha por Aninha. Fazia bilhetes coloridos e não entregava e outros tantos mais bonitos, e esses entregava.

 

Um dia, para felicidade do Garoto, trocaram sem querer de mochila na escola. Era a oportunidade de fazer o desenho mais bonito, com as cores mais coloridas e deixar lá, para que quando destrocassem, ela não tivesse mais duvida de qual garoto lhe escrevia.

 

Mas será que a menina já não sabia? Bom, essas eram as coisas que quando garoto não queremos ter lá muita certeza.

 

E quando grandes também não…
E entregou a mochila, a carta e suas esperanças. E esperou.

 

E se encontraram e se reencontraram. Mas a menina não disse nada. Nem que sim, nem que não, nem que nada.

 

A menina fingiu que não viu. E o Garoto fingiu que esqueceu.

Aqui, sob este título de “Barulho da Vez”, sempre um sonzinho recem (re)descoberto e que não sai da cabeça. =D
Anna Burden, garota dona de um vozeirão, e um certo charme ;-), está bombando no YouTube desde a tenra idade.
Sempre em gravações meio que caseiras, mas com muita personalidade.
Não conhecia o original dessa música, fui atrás e a versão dela é melhor. o/
Play!