É impressionante como um garoto de 8 anos pode ter tantas certezas na vida. Sabe de quem gosta e o que é. O Garoto sabia o nome da menina que gostava e que era, definitivamente, diferente.

 

Pena que esquecemos de tudo isso na adolescência, e depois custamos a lembrar…

Ele tinha um caderno. Não era qualquer caderno, era um caderno colorido, cheio de desenhos, artes, frases, pautas, uma espécie de diário. Naquela época ele ainda não sabia que gostava mais de ter um caderno do que de escrever nele. Mas escrevia. Escrevia sempre que não podia dizer, isso ele já sabia.

Ana Carolina era o nome da menina. Cabelos negros cacheados que viviam revoltos, como se não aceitassem que a dona era uma menina linda, de pele branca e sardinhas no nariz.

Ela não era a menina mais bonita da escola, nem a mais popular. Era aquele tipo de menina que se esquecia de ser menina. Era por isso, porque ela era mais ela, que ele gostava.

Gostava e escrevia. As vezes desenhava. Outras tantas copiava. O Garoto não entendia, mas adorava o som que as palavras faziam, naquele velho disco:

“Menininha do meu coração

Eu só quero você

A três palmos do chão

Menininha não cresça mais não

Fique pequenininha na minha canção

(…)”

E copiava. E trocava menininha por Aninha. Fazia bilhetes coloridos e não entregava e outros tantos mais bonitos, e esses entregava.

 

Um dia, para felicidade do Garoto, trocaram sem querer de mochila na escola. Era a oportunidade de fazer o desenho mais bonito, com as cores mais coloridas e deixar lá, para que quando destrocassem, ela não tivesse mais duvida de qual garoto lhe escrevia.

 

Mas será que a menina já não sabia? Bom, essas eram as coisas que quando garoto não queremos ter lá muita certeza.

 

E quando grandes também não…
E entregou a mochila, a carta e suas esperanças. E esperou.

 

E se encontraram e se reencontraram. Mas a menina não disse nada. Nem que sim, nem que não, nem que nada.

 

A menina fingiu que não viu. E o Garoto fingiu que esqueceu.

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