Todas as relações humanas são baseadas nas trocas de vantagens. Todo relacionamento, amoroso, amigável, cordial, de negócios, familiar, ou seja, qualquer relação entre dois seres humanos dura o quanto durar a relação de vantagens que um pode oferecer ao outro.

Você pode argumentar que uma mãe não mantém relações com os filhos em busca de algo em troca. Eu digo que sim. A mãe quer em troca o reconhecimento como tal, mesmo que o filho seja um calhorda, a relação de ganho permanece enquanto esta mãe “sofrida” aceitar este sofrimento. Pois, de alguma maneira este sofrimento completa uma carência da mãe.

Quando tal relação deixar se ser vantajosa, a mãe irá abrir mão. Acontece o mesmo com alguém caridoso e benevolente, que recebe em troca da sua boa ação um conforto espiritual e pessoal. Sempre há relação de ganho, mesmo que não pareça.

Num relacionamento amoroso principalmente, a relação perde/ganha é colocada a toda prova. Isso porque normalmente se inicia um relacionamento percebendo apenas as relações vantajosas. Tão vantajosas que mesmo o que se dá em troca entende-se como ganho. Ai mora o perigo.

Este “contrato” é firmado as escuras: “estamos ganhando os dois e assim somos felizes”. Mas este contrato tem validade e dura até alguém mudar alguma clausula. Isso normalmente se dá o nome de traição. Não a traição da carne, do adultério, mas a traição dos acordos previamente estabelecidos como vantajosos.

Não cabe aqui exemplificar as traições. Vale a máxima ”um passo e não se esta mais no mesmo lugar!”. É este passo que deixa alguém na relação pra trás e o contrato precisa ser revisto. Quando um na relação esboça transformações pessoais que acarretará em transformações na relação, o outro cobra os compromissos prévios assumidos, dando um passo para trás. O “traído” não reconhece que seus direitos de apego não tem o menor valor numa relação em que o compromisso explicito é o relacionamento.

Não adianta os “dez mandamentos da relação feliz” ou “os segredos dos casais mais felizes”, onze entre dez relações se baseiam no diálogo franco e honesto, ou seja, em negociar sempre. Se numa relação alguém se modifica, o pacto é esse: todos devem se colocar em movimento.

Para a alma de quem esta em mudança, é o apego que representa a traição. “Traí para não trair”, muitos traidores terão dito. Já o traído sente no corpo a dor da transgressão e na alma a dor de seu apego. Por definição, uma pessoa só pode se sentir traída se está as voltas com dificuldades de excesso de apego. Porque todo traído é, sem dúvida, alguém que peca pelo apego.

Livre adaptação de trecho de “A Alma Imoral” de Nilton Bonder, e mais umas tantas coisas da minha cabeça.


2 Comments

  1. lits!
    Posted 17/02/2009 at 10:27 | Permalink

    adoro as coisas que passam pela sua cabeça.

  2. Litework
    Posted 26/02/2009 at 01:17 | Permalink

    Já leu Freakonomics? Todos somos movidos por incentivos. i.e. TODOS mentimos, todos trapaceamos, nada é sagrado, dependedndo do incentivo…é a tese do economista no primeiro capítulo.

    Apego? TODO sofrimento provem do apego (ou da aversão) se formos examinar sob uma ótica mais oriental – medo de perder – então porque a aouto-sabotagem do “traí para não ser traído;” “rejeitei para não ser rejeitado….”

    Sim, eu concordo com você – recontratar para não mandar tudo à merda mas estou nos vendo como uma espécie em extinção em meio à podridão humana crescente (não peço desculpas, o sarcasmo provém de uma profunda dor de descoberta de que minha crença de que a bondade é soberana neste planeta talvez não passe de mero idealismo. À medida que meus olhos se abrem, ao experimentar, na pele e não mais somente através de livros e teorias -VIDA, propriamente dita- minha decepção e desespero aumentam porém eu continuo “praticando os meus princípios (o melhor q posso, não tenho a menor pretensão de aqui afirmar minha perfeição, os tais ‘incentivos’ chamam ao meu ego, também) em todas as minhas atividades.”

    Não acho mais que nada tem que ser feito as escuras. Não acredito mais em jogos. Estou brava e farta. Sim, um modificando movimenta o todo, o chamado “efeito borboleta.” e não só em relacionamentos cunhados amorosos/afetivos/sexuais…mas TODOS. Agora é a hora, você está pronto?

    Pode ser que esteja realmente enlouquecendo, mas repetir o que outros dizem a meu respeito é simplesmente dar-lhes muito poder e atenção – vejo mais como uma “abertura de percepção” – e não li a Alma Imoral…. AINDA :)

    By the way, aqui é a Ju – acho q nem pus foto no meu ID ainda pq é muuuuuuito velho. E concordando com a lits, tambem gosto da forma como pensa.

    Sorry pelos erros ortográficos – sabe como é – madruga, insonia, bla bla bla….

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