Quem tem mais de 30 anos fica com um nó na garganta só de lembrar da cena do cavalinho Artax, fiel amigo do Atreiú, morrendo no Pântano da Tristeza. Essas e outras cenas épicas fazem parte do filme História sem Fim, clássico absoluto da Sessão da Tarde nos anos 80.

O cavalinho (é assim que está no livro) Artax morre de tristeza. O obvio seria pensar que, para passar pelo Pântano da Tristeza, era preciso ser feliz. Mas, o recado que o filme dá nessa cena é a esperança, único sentimento que não fará os heróis afundarem na lama da tristeza.

Para quem não conhece, esta é a história do garoto Bastian, que perseguido pelos colegas de escola, infeliz com a sua família, em mais um dia de fuga das perseguições que sofria no colégio acaba dentro de uma livraria antiga e sombria (um sebo, basicamente….rs). Lá ele descobre o livro “História sem Fim”. Curioso, rouba o livro e se esconde no sótão da escola. Assim embarca na aventura do livro, que conta a história do fim do Reino da Fantasia, da morte da Imperatriz Criança e de como o Nada quer acabar com a imaginação no mundo. Para salvar esse mundo da Fantasia, Bastian precisa dar um novo nome para a Imperatriz criança, vencer seus medos e fazer parte da história.

O que pouca gente sabe é que o filme é baseado no livro homônimo de Michel Ende, escritor alemão de romances fantásticos e livros infantis. Estou aqui para falar do livro.

O filme, mesmo com dívidas claras ao livro, mantém viva a saga de crescimento espiritual e pessoal que os heróis, Bastian e Atreiú, devem passar. Uma das cenas que mais me marcou é quando Atreiú chega em frente as duas Esfinges. Ele precisa atravessar entre elas, porém, sempre que alguém tentar passar com medo, as esfinges soltam raios mortais pelos olhos.

Os cavaleiros mais corajosos de Fantasia já haviam falhado na tentativa. É que, instantes antes de atravessar, as Esfinges mostram para quem tenta passar a coisa mais assustadora de suas vidas: A verdade sobre si mesmo.

O ponto principal da história é que, para salvar Fantasia, Bastiam precisa realmente entrar na história. E para marcar isso no livro, os trechos que acontecem com Bastian dentro do livro e os trechos que acontecem fora do livro, são marcados em cores diferentes, marrom e verde.

Assim como eu fiz aqui, onde coloco em marrom o que falo sobre o que acontece fora da obra e em verde o que é sobre os ideias do livro, nessa linda produção gráfica o trecho que acontece com Bastian fora da Historia sem Fim esta em marrom e o que acontece dentro da historia esta em verde.

A saga é trançada em torno da luta destes jovens para que o Nada não destrua fantasia. O Nada é o nada mesmo. O fim. Ele é personificado como Gmork, um lobo. O trecho do diálogo entre Atreiú e o Nada, numa cidade destruída, é emblemático da mensagem do livro:

“- Calma, pequeno louco, rosnou o lobisomem. Quando chegar a sua vez de saltar para o Nada, você se transformará também num servidor do poder, desfigurado e sem vontade própria. Quem sabe para o que vai servir. É possível que, com sua ajuda, se possam convencer os homens a comprar o que não necessitam, a odiar o que não conhecem, a acreditar no que os domina ou a duvidar do que os podia salvar. Por seu intermédio, pequenos seres de fantasia, fazem-se grandes negócios no mundo dos homens, desencadeiam-se guerras, fundam-se impérios…”

FICHA GRÁFICA

A obra original é de 1979, e impresso no Brasil pela Martins Fontes desde 1985. O que apresento aqui é a 2ª tiragem (2001), da 8ª edição (2000).

A letra capitular do inicio do capítulo é uma ilustração lindíssima e delicada, muito próxima de uma xilogravura. O miolo é impresso em duas cores, marrom e verde, que dão um belo efeito nas ilustrações.

Não sei se a idéia de imprimir cada voz do livro em uma cor é da obra original, assim como as ilustrações, mas é isso que faz essa uma obra gráfica belíssima.

Capa: 2×2 cores. Preto e um marrom pantone.
Miolo: 2×2 cores pantone, verde e marrom.
Papel: provavelmente pólen 90g

Gráfica: Cromosete
Capa: Kátia Harumi Terasaka
Produção Gráfica: Geraldo Alves
Revisão Gráfica: Ivete Batista dos Santos e Márcia da Crus Nóboa Leme

Tradução: Maria do Carmo Cary
Revisão da tradução e texto final: João Azenha Jr.


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