Dias destes, me deparei com a sigla PHN.
Curioso, fui descobrir que é um movimento católico para jovens “Por Hoje Não vou Pecar”. Minha pesquisa foi superficial e não vou entrar no mérito da questão se isso é bom ou ruim.

Mesmo porque esbarrei com outro só por hoje nesta pesquisa, o do AA, “Só por hoje não irei beber”.

E isso me fez refletir sobre as “leis” divinas e humanas, principalmente as que dizem respeito as condutas, e de que maneira elas são aplicadas, praticadas e respeitadas ou não.

A lei de Deus e dos homens esta cheia de “nãos”. “Não matarás”, Não furtarás”, “Não pise na grama”, “Não beber”, “Não pecar”, etc.

O comando pela proibição é comum aos ditadores e aos falsos lideres. Ao criar a proibição, cria-se um estado de medo e junto um estado de insatisfação. Já disse aqui que, se estou insatisfeito com algo, não estou mais sendo honesto em relação a isso.

Das leis divinas uma das que se utilizam do positivo para comandar é o “crescei e multiplicai-vos”. Essa, no meu entender, a única das leis que é indiscriminadamente cumprida, sem senãos e burlas.

Comandar com leis “positivas” é a certeza do seu cumprimento. Não há relação de tensão e sim de estimulo. Quando se comanda pelo negativo, se esta praticamente pedindo pela transgressão.

Podemos retornar aos primórdios de Adão e Eva. Tudo no paraíso era possível, MENOS comer do fruto proibido. O tal fruto era do conhecimento, mas antes mesmo do homem se reconhecer como tal ele já conhecia um lado seu capaz de agir e reagir. Ao comer o fruto o homem estaria participando da criação com o criador. Transgredindo e transformando.

Ao admitir ao homem que ele é capaz de fazer algo que não pode, Deus chama o homem para criar junto com ele.

E qual é o nome deste componente do homem que o chama a transgredir sem ter o poder do “conhecimento”? A alma!

É a alma que insatisfeita faz as modificações acontecerem. É a alma o componente que dá a consciência ao homem de que é possível evoluir. Se não doer na alma, não nos impelimos a agir.

Essa introdução serve para entender o brilhantismo de programas de modo de vida, como o “Por Hoje Não vou Pecar” e o “Só por Hoje Não vou Beber”.

Seria demasiado simples compor estas afirmações de conduta com expressões do tipo “Por hoje Farei a Lei de Deus”, ou “Só por Hoje ficarei Sóbrio”. Mas este tipo de comando “positivo” traria uma zona de conforto muito perigosa á conduta. Ao se sentir insatisfeita a alma transgrediria justamente no contrario, pecando e bebendo.

Ao criar a proibição, chama-se a transgredi-la. Dá-se a opção de um direto oposto, o “sim pecar” e o “sim beber”. E é nessa perspectiva de que, “eu posso, mas não quero” é que a alma se fortalece. É a tensão do correto em detrimento do bom, que faz a alma se sentir viva e ativa.

O desafio mora justamente ai, mudar sem transgredir, um salto na evolução. A simples possibilidade da transgressão faz com que a alma busque a evolução acima do proibido.


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