Eu odeio teoria da conspiração. Esse negócio de achar que tudo o que o governo faz é pra faturar em cima da população, que toda edição do Jornal Nacional é manipulada, acho tudo isso um saco.

Uma prova disso é o incêndio que aconteceu hoje na favela de Paraisópolis. aqui e aqui

Quando começaram a construir a Perimetral Paraisópolis (a.k.a Av. Hebe Camargo) teve um monte de gente falando que iria começar a especulação imobiliária e que o governo e as construtoras fariam de tudo para faturar em cima. Mania de perseguição. Sim, o governo “ocupou” a favela. Mas foi só porque a violência estava demais. Só por isso.

Quando a avenida foi inaugurada pela metade, teve gente que achou estranho a avenida ligar o meio do Panamby ao meio de uma favela, desembocando no CEU Paraisópolis. Poxa, favelado também precisa acessar a marginal e bacana precisa de um caminho rápido pra buscar bagulho na boca. A avenida ajudou todo mundo. Tá, teve gente perdida, como esta nessa matéria aqui. Pessoal desavisado.

E é só esperar o resto da avenida ficar pronto. A avenida vai ligar o Panamby ao estádio do Morumbi. Lindão. Vai ser a “Expressa Faxineira”, ajudando as domésticas de Paraisópolis a atenderem dois bairros de bacanas.

E outra, nenhum rico vai se importar de usar uma avenida que passa no meio de uma favela. O pessoal lá é pobre, mas é limpinho e hoje em dia todo mundo tem carro blindado, segundo a Danuza Leão.

E nem me venha dizer que os preços dos imóveis na beira da evenida vão ficar caros, que vai começar a especulação imobiliária. Conspiração isso! Vão fazer o que? Queimar a favela, arrancar os pobres de lá e construir “torre” de rico? Me poupe!

O incendio de hoje aconteceu a 300 metros do fim da avenida. 300 metros! Longe pra caralho, você mesmo não percorre uma distancia dessas sem a ajuda do seu personal.

(ps: Se vc ficou puto com o texto, volte 5 casas e leia com ironia. Vai melhorar)

 


Não existe tucanalhas ou petralhas. PCOs, PDTs ou qualquer Partido que o pariu.

A revolução esta acontecendo hoje. Na mão de um jovem, apenas com acesso a internet. Não existem partidos ou marcas. Esse jovem se conecta com o quer, quando quer, se isso é relevante. Não se fideliza a nenhuma empresa ou partido. Ele sabe que estas empresas e partidos só são o que são, quando e porque ele quer.

É em cima de uma bicilheta, pintando um muro, fazendo um grafite, uma mostra de arte, um financiamento coletivo. O novo capitalismo mundial é coletivo, participativo, creative commons, open source.

Pode rasgar seu Adam Smith e seu Karl Marx. Evoluimos e já faz tempo. Todos os dias nossos gurus e filosofos se reinventar, surgem e desaparecem em um post ou um like. Tio Mark e o facebook que se cuidem. Não tomem postura de empresa velha, isso aqui não é mais seu, é nosso. Se quiser mandar demais, vai ficar para traz.Estamos tomando as ruas. Estamos tomando o cyber espaço. A revolução já começou e é tudo nosso.

#ExisteAmorEmVc


Sempre achei que sim, cantar no ônibus ou metrô incomoda todo muito. Além de ser uma baita falta de educação. Ninguém merece escutar uma música que não gosta cantada por algum desconhecido desafinado.
Mas ontem no metrô aconteceu algo novo. Um cara começou a cantar e todos começaram (quase) a curtir…. Ele era em si uma figura engraçada, um vovô de cabelos brancos, polo azul de gola branca, calça skini e óculos do super-man. Um hipster passado dos setenta anos…hahahahaha

Ele começou a cantar uma música em italiano, “Dio, come te amo”. Cantava mal e desafinado, mas começou a comover as pessoas. Uns riam… Mas um cara, no meio da multidão, começou a cantar junto. Cantar meio baixinho, balbuciando. Mas era nítido que, enquanto cantava, ele lembrava de alguma coisa, sorria.

Comecei a imaginar toda a história que havia por trás daqueles dois senhores, cantando uma sofrida música de amor e lembrando…. Foi quando entendi o poder daquela canção e a diferença dela e dos funks que quando cantados ou escutados no coletivo incomodam tanto: aquela música lembrava, emocionava, dizia alguma coisa para alguém.

Antes dos ufanistas meterem o pau, falando que eu só acho essa história legal porque a música era italiana que o funk representa uma cultura nacional e blablabla, deixo claro que: aquela musica só não emocionou o metrô inteiro porque algumas pessoas não estavam entendendo a letra. Qualquer um que tenha assistido uma novela da globo sabe o que significa “Dio, come te amo”, mas não entendiam o resto da letra.

O fato é que aquela musica tinha sentimento, sentido e trazia lembranças. Ela pode ser em italiano, mas tenho certeza que se fosse uma do Chico Buarque, ou um samba canção do Arlindo Cruz ou um pagodinho bem meloso do Negritude Junior, o efeito contagiante seria muito maior.

Acredito que as pessoas não se incomodem tanto com o fato de cantarem ou escutarem funk no metrô. Acho que o que as pessoas estão cansadas mesmo, é de tanta gente propagando o vazio por ai.

Ah, não sabe que música é “Dio como te amo”. Escuta só:

 


É impressionante como um garoto de 8 anos pode ter tantas certezas na vida. Sabe de quem gosta e o que é. O Garoto sabia o nome da menina que gostava e que era, definitivamente, diferente.

 

Pena que esquecemos de tudo isso na adolescência, e depois custamos a lembrar…

Ele tinha um caderno. Não era qualquer caderno, era um caderno colorido, cheio de desenhos, artes, frases, pautas, uma espécie de diário. Naquela época ele ainda não sabia que gostava mais de ter um caderno do que de escrever nele. Mas escrevia. Escrevia sempre que não podia dizer, isso ele já sabia.

Ana Carolina era o nome da menina. Cabelos negros cacheados que viviam revoltos, como se não aceitassem que a dona era uma menina linda, de pele branca e sardinhas no nariz.

Ela não era a menina mais bonita da escola, nem a mais popular. Era aquele tipo de menina que se esquecia de ser menina. Era por isso, porque ela era mais ela, que ele gostava.

Gostava e escrevia. As vezes desenhava. Outras tantas copiava. O Garoto não entendia, mas adorava o som que as palavras faziam, naquele velho disco:

“Menininha do meu coração

Eu só quero você

A três palmos do chão

Menininha não cresça mais não

Fique pequenininha na minha canção

(…)”

E copiava. E trocava menininha por Aninha. Fazia bilhetes coloridos e não entregava e outros tantos mais bonitos, e esses entregava.

 

Um dia, para felicidade do Garoto, trocaram sem querer de mochila na escola. Era a oportunidade de fazer o desenho mais bonito, com as cores mais coloridas e deixar lá, para que quando destrocassem, ela não tivesse mais duvida de qual garoto lhe escrevia.

 

Mas será que a menina já não sabia? Bom, essas eram as coisas que quando garoto não queremos ter lá muita certeza.

 

E quando grandes também não…
E entregou a mochila, a carta e suas esperanças. E esperou.

 

E se encontraram e se reencontraram. Mas a menina não disse nada. Nem que sim, nem que não, nem que nada.

 

A menina fingiu que não viu. E o Garoto fingiu que esqueceu.